Conheça o novo secretário da JPT Minas: Bruno Roger


Bruno Roger Ribeiro tem 23 anos é estudante de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Secretário Estadual eleito da JPT – MG.


1 – Bruno, conta como foi sua trajetória na militância política. Além da atuação no PT você foi atuante nos Movimentos Sociais, em quais?

A minha trajetória no PT tem inicio em um momento muito difícil para o nosso partido. Em 2005, quando estourou na mídia a crise do mensalão e outros escândalos correlatos, tinha 16 anos de idade e já possuía certo vinculo ideológico com o Partido dos Trabalhadores, contudo, ainda não era filiado. Particularmente, fiquei muito indignado com a postura da grande mídia golpista e, profundamente, preocupado com a ofensiva da direita naquele momento tão importante para o Brasil, onde o Governo Lula começava a emplacar transformações estratégicas. Neste sentido, quando percebi que muita gente estava saindo do partido, isto é, militantes históricos, dirigentes importantes, fundadores e parlamentares, tomei a decisão de entrar, assinando uma ficha de filiação. Hoje, sinto orgulho de ter entrado para o PT neste momento. Foi um gesto corajoso e convicto, pois sempre acreditei e confiei que os princípios norteadores da ação política do nosso partido, são mais consistentes e mais fortes do que as vaidades e deslizes de algumas pessoas. Desde que entrei para o PT minha vida mudou completamente. Tenho me dedicado integralmente à militância política. Vivo em função de um projeto coletivo de transformação da sociedade, expresso na luta do Partido dos Trabalhadores. Agora, retomando a pergunta, meu primeiro contato com a política enquanto movimento e ação coletiva, se deu quando cursava o ensino médio e fui fundador e presidente de um Grêmio Estudantil, em 2003. Para além do movimento estudantil, participei mais efetivamente da Pastoral de Juventude e de outras Pastorais Sociais e, ainda, participei ativamente do MTC (Movimento dos Trabalhadores Cristãos). Com 18 anos de idade fui educador social do Projeto Juventude Cidadã pela Prefeitura Municipal de Contagem. Um ano depois, com 19 anos assume a Coordenação Geral do Programa Projovem Adolescente em Contagem que atendia mais de 1000 adolescentes. Neste mesmo ano, fui eleito Secretário Municipal da JPT – Contagem, e assumi a Coordenação da campanha de Juventude de reeleição da nossa prefeita Marília Campos. No segundo mandato, assumi no primeiro ano uma Gerência de ações socioeducativas, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e, logo depois, no segundo ano, recebi a tarefa de coordenar toda a política de direitos humanos na cidade, respondendo pela Secretaria Adjunta de Direitos Humanos da Prefeitura. Tenho 23 anos de idade e uma trajetória política curta, mas sem duvidas, intensa. Consegui depois de muita luta vencer o preconceito que as pessoas têm em relação à idade, afinal todos os espaços que ocupei, sempre fui o mais novo, contudo, aprendi que seriedade, serenidade, maturidade e compromisso político, independem da idade ou de qualquer outra característica superficial do ser humano.


2 - Você foi o único candidato à Secretário de Juventude de Minas. Qual a importância desse processo de unidade?

A unidade é importante porque expressa uma maturidade política do conjunto de forças que compõem a JPT em Minas. Mais do que isso, ela sinaliza a disposição de reverberar uma construção coletiva em uma gestão coesa e integrada. Além do que, vale ressaltar que a unidade e o consenso não negam as diferenças, mas as canaliza para um mesmo objetivo. Deste modo, esta unidade política da JPT em Minas, consiste em um dos processos mais avançados que já vivenciei, pois encontra sustentação em uma plataforma programática consistente, capaz de revigorar o espírito transformador da juventude petista mineira. Sem duvidas, a JPT em Minas deu um exemplo para todo o país de como é possível convergir na política, preservando as diferenças, lançando mão do sectarismo e de um disputismo visceral. Este processo também foi importante, pois acena para o PT de Minas que a juventude tem preocupações maiores com os rumos do partido no Estado e tem maturidade para participar das tomadas de decisões. Tenho certeza que a unidade programática é o caminho mais seguro e responsável para vencermos os desafios colocados.

3 - O PT definiu no seu último Congresso que a Juventude terá cota de 20% nas direções, para você qual a avaliação dessa importante vitória?

Uma importante conquista para os jovens petistas e, a meu ver, uma medida necessária para o partido. Todos sabem da urgência de um pacto geracional mais incidente em nosso partido que, acene objetivamente para uma renovação e oxigenação do PT. Porém, acredito que a renovação precisa ser também de algumas práticas políticas. Não podemos reproduzir, pura e simplesmente, as mesmas práticas de outras gerações, afinal a conjuntura é dinâmica e o contexto histórico no qual nos inserimos é outro. Existe, portanto, uma preocupação com os rumos do PT. Agora, outra coisa que merece destaque acerca dessa questão, diz respeito à instrumentalização da juventude, ou seja, temos que garantir que os jovens de fato componham as direções com autonomia para assumirem as responsabilidades e atribuições inerentes ao cargo. Desta forma, não podemos admitir que o jovem conste formalmente nas atas e documentos oficiais, mas na realidade os adultos continuem tomando as decisões. Em suma, acho que a cota de 20% é muito significativa e parte de uma estratégia de renovação partidária, contudo, temos que garantir a sua implementação.

4 - Qual sua posição sobre a proposta de financiamento para a JPT?

Sou a favorável ao financiamento da JPT. Defendo a autonomia financeira e acredito que ela exerce uma influência sobre a autonomia política. O financiamento é, portanto, fundamental para termos uma ação planejada e condições de realizar nossa plataforma programática. Mais do que isto, temos que compreender que investir na organização da juventude faz parte de uma estratégia política maior. Ou seja, a juventude pode ser considerada a porta de entrada do Partido e a escola de novas gerações que assumirão o comando do nosso projeto político. Assim, a JPT é uma instância partidária dotada de especificidades e potencialidades que devem ser exploradas politicamente. Para isso, a autonomia financeira é de suma importância. E, acho plenamente possível, discutir e estabelecer regras viáveis de financiamento da JPT, sem prejudicar o Partido e quanto menos tencionar as relações com outras secretarias setoriais. 

5 - Quais os próximos desafios para a JPT de Minas?

Os desafios são muitos e passam pela plataforma programática que, volto a repetir, sustentou a unidade política em Minas. Temos que ampliar o dialogo com as diversas juventudes do nosso estado e estreitar a relação com os municípios mineiros. Como já dizia Guimarães Rosa, grande escritor das montanhas e dos sertões, “Minas são muitas”, e afirmo que a juventude mineira são várias. Temos, ainda, que retomar um canal de dialogo com os movimentos sociais e os partidos do campo democrático e popular. Construir uma plataforma de oposição ao governo Anastásia e ao bloco hegemônico que o sustenta. Além disso, temos a tarefa de comandar um processo vertiginoso de interiorização e municipalização da JPT em Minas, explorar toda a energia e disposição dos jovens que militam nos diretórios municipais mais distantes e longínquos. Outro desafio colocado consiste nas eleições de 2012, onde precisamos incentivar e subsidiar candidaturas jovens no estado e contribuir para que o nosso partido obtenha resultados positivos nas urnas. Sem duvidas, o PT em Minas precisa aumentar o numero de prefeituras, manter as que já governamos e conquistar cidades estratégicas. Neste sentido, a JPT tem que assumir um papel protagonista e ativo na construção de um projeto democrático e popular para Minas Gerais que, sobretudo, tenha condições de derrotar os tucanos em 2014. Temos, portanto, que incendiar a hegemonia tucana no estado, imbuídos de um desejo revolucionário e um espírito transformador, revigorando no discurso e na ação, os princípios da esquerda, reafirmando a bandeira do socialismo e intensificando a ousada estratégia de uma revolução democrática.


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