Pelo direito a vida da Juventude Negra!

Por Elen Coutinho*

Após os dez primeiros anos de governos de esquerda no Brasil, houve avanços importantes para a juventude negra. A democratização do acesso ao ensino superior caracteriza um instrumento de empoderamento para superação de séculos de invisibilização, exclusão, discriminação e violência ao qual a essa juventude foi submetida. As cotas e PROUNI modificaram a cor da universidade brasileira. O estatuto da juventude garantiu direito a políticas públicas para jovens egressos de sistemas de ressocialização e para jovens de baixa renda, medidas que diretamente afetam nossas vidas.

Mas nós precisamos de mais! Mesmo após 10 anos de um governo de esquerda é fato que o jovem negro da periferia ainda é a principal vitima da violência urbana no Brasil. As taxas de mortes dessa parcela da população são de países em guerra civil. O governo do PT ainda não conseguiu superar a política de Estado para nós: o cárcere e a morte!

A elite econômica brasileira controla aparelhos hegemônicos importantes na luta por uma sociedade socialista e anti-racista. A mesma elite que outrora era dona de escravos, hoje controla fração significativa da política, os meios de comunicação, e a produção do conhecimento acadêmico no país. O Congresso Brasileiro não é representativo da população, e sim dos detentores do poder econômico. Os grandes veículos de comunicação promovem diariamente ataques, seja na forma dos programas sensacionalistas de porta de cadeia que fazem diariamente apologia a faxina ética e ao genocídio da população negra, seja na forma dos programas que manipulam informações na campanha pela redução da maioridade penal.

A quem interessa colocar o jovem pobre negro Brasileiro na cadeia mais cedo? Os argumentos ventilados pela mídia golpista são nada mais que vingança travestida de justiça, e estão na contra mão da superação do problema da segurança. Segundo o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), a aprovação da proposta de redução da maioridade penal, poderá aumentar em até 03 vezes as chances de reincidência de jovens envolvidos em crimes. Os dados revelam que as taxas de reincidência no sistema sócio-educativo são de cerca de 20%, enquanto nas penitenciárias chegam a 60%. As penitenciárias não cumprem a função de ressocialização. O cárcere é para nós a faxina ética!

A Polícia militar tem um treinamento de guerra, de combate e execução do inimigo, e não serve ao modelo de polícia que deveria prender e encaminhar suspeitos para julgamento, ao modelo que deveria levar segurança a população. Os “sumiços” dos Amarildos, e os autos de resistência são o extermínio da juventude negra, legitimada pelo Estado brasileiro. Pelo direito a vida, nós dizemos não a redução da maioridade penal. Pelo direito a segurança nós defendemos a desmilitarização da polícia militar, braço do Estado que violenta a população da periferia diariamente.


* Elen Coutinho é diretora de Comunicação do DCE da UFBA e participa do Coletivo Crioulo. 
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