Uma agenda de mobilizações pelo Brasil

Por Movimento Fora da Ordem*

O Conselho Político da Juventude do PT, realizado entre os dias 21 e 23 de fevereiro, apontou para a realização de um grande festival cultural chamado Aldeias da Juventude, que visa estabelecer uma nova dinâmica na realização dos debates e discussão das questões juvenis.

Entre outras decisões, foi encaminhada a realização de encontros preparatórios nos estados.

Avaliando esses fóruns estaduais como percurso fundamental para nossa organização, oferecemos esse texto com subsídios iniciais à Direção da Juventude do PT, que a nosso ver, deve se deter com mais atenção à realização dessas etapas locais.

Os encontros estaduais precisam se consolidar como fóruns participativos, em que figuras públicas e a militância em geral tenham oportunidades de trocar ideias de igual para igual, de maneira a diminuir distância entre os vários perfis de juventudes e aquel@s que ocupam determinados espaços de poder, organizando assim espaços de diálogo livre, horizontalizados, em que todos/as possam se expressar.

Para nós os encontros precisam se apresentar em um formato diferente das reuniões tradicionais que estamos acostumad@s. Pensamos que devem ser feitos em praças, escolas, organizações dos movimentos sociais e espaços abertos, onde já seriam locais de encontros de jovens, de forma que tod@s sejam estimulad@s a falar e nossa direção esteja disposta sobretudo a ouvir.

Acreditamos que o essencial é utilizar esse expediente como polo para aglutinar significantes parcelas juvenis da sociedade (boa parte que foram às ruas durante as manifestações de junho), produzindo um espaço de diálogo capaz de dar vazão aos múltiplos descontentamentos existentes, e tendo, dessa maneira, a possibilidade de iniciar um processo de disputa ideológica mediante a própria dinâmica interativa proposta.

Nesse sentido, os fóruns estaduais podem assumir centralidade na formação de um programa de governo arrojado e atualizado para a juventude, posto que funcionarão como manifestos vivos das causas e questões que importam para esses atores e atrizes.

Muitas vezes ouviremos críticas, muitas vezes serão injustas, e organizaremos medidas prévias para a defesa do nosso projeto democrático e popular de Brasil. Contudo, para além do enfrentamento ideológico mais acirrado no espaço do fórum, o objetivo é conhecer particularmente cada crítica, permitindo uma disputa programática mais em médio prazo, fazendo não só do programa de governo um elemento com lastro, mas utilizando cada contato estabelecido como um elo nessa rede.

Condição sine qua non para fazer desse processo uma ferramenta efetiva de mobilização e escuta dos jovens, é desenvolver de forma paralela um vigoroso processo de comunicação virtual. Se no conjunto da população ainda há grandes parcelas que não acessam a rede, especificamente na juventude esse quantitativo é bem menos expressivo. Desde modo, o expediente mínimo para que os encontros regionais funcionem satisfatoriamente perpassa a atualização permanente de algum instrumento definido (blog, site, página no Face...), que reúna o conjunto das agendas e atividades relativas. Além disso, seria recomendável a organização de frentes nas redes sociais e considerável atuação na elaboração de conteúdos próprios (tanto para veículos tradicionais como artigos em mídia impressa, quanto no investimento em novas mídias como vídeos de curta duração).

A ideia fundamental é que os encontros estaduais tenham dinâmica própria e capacidade política e organizativa de gerarem fatos por si. Uma orientação nesse sentido é utilizar esses espaços para lançamento dos programas de juventude nos estados onde teremos candidatura própria.

Apoiamos a iniciativa da Direção da JPT de organizar um festival de cultura para agregar jovens e tornar o processo de debate mais atrativo, contudo avaliamos que tal diretriz só cumpre o papel se for dada atenção especial aos processos estaduais.

Um grande referencial nesse sentido foi o seminário “Minas que a Juventude quer”, que realizamos nos dias 14, 15 e 16 de março, dando início às agendas dos encontros estaduais. A partir de uma intensa mobilização em todo o estado, produzimos um encontro com uma programação cultural arrojada (oficina de poesia, apresentações musicais, oficina de stencil, produção de grafite...), espaço horizontalizado de debate (Arenas da Juventude) e vínculo com a disputa eleitoral do PT (plenária com o candidato a governador Fernando Pimentel).

Logo, se formos capazes de fazer com que os demais 26 fóruns estaduais assumam essa centralidade no acúmulo ideológico, visibilidade pública, relevância regional e nacional em termos de programação e efetiva participação juvenil, podemos fazer desses encontros um expediente de pré-campanha eleitoral fundamental ao partido.

Em suma, a ideia é promover atividades por todos os estados do país, fomentando a multiplicação dessas atividades (como já fizemos em 2010), mas com uma orientação de formato mais delineada.

Dessa vez, iniciamos a agenda pública com uma antecedência considerável, permitindo assim, que o programa de governo da juventude seja resultado dessas mobilizações e que na campanha já tenhamos uma rede consolidada de militantes da Juventude do PT nas mais diversas áreas.

Enfim, é uma proposta para favorecer o diálogo do PT com sua juventude, e outros tantos jovens que têm interesse em participar da política, em expressar suas opiniões, mas não se veem no formato de política que praticamos no PT e nos movimentos sociais tradicionais.

Assim sendo, poderemos mobilizar os militantes petistas no período pré-eleitoral, organizar a JPT em torno de uma tarefa concreta, dialogar com jovens de dentro e de fora do PT e construir uma plataforma política de programa de governo para a presidenta Dilma que tenha lastro no PT e na sociedade, buscando refletir de fato os anseios da juventude brasileira.

Entendemos que dessa forma, a realização de um grande festival nacional de cultura, com caráter mais lúdico, intervenções artísticas e voltado aos jovens que não estão no dia a dia do PT, se caracteriza como uma culminância dos debates realizados, promovendo novas perspectivas de militância e animando a galera para a campanha já próxima.

Contudo, realizar o festival sem investir esforços na organização dos encontros locais, sem dar protagonismo às direções estaduais e sem vincular essa mobilização às discussões eleitorais, torna-se inócuo e contraprodutivo.

O foco nas agendas estaduais, além de uma atualização do programa do PT para a juventude brasileira, significa um novo impulso para vencer as eleições de 2014 em condições de fazer com que o quarto mandato presidencial do PT seja superior a todos os outros.

A ideia de aldeia está vinculada justamente à perspectiva de localidade, povoação, território. Ou iniciamos um processo pela base, mobilizando jovens nas suas múltiplas realidades e construindo pontes efetivas de diálogo, ou nossa aldeia pode ser percebida como uma tentativa folclórica de se pintar de povo, sem assumir vínculo real com suas causas e sem qualquer essência transformadora.



* O Fora da Ordem é um movimento que começou em 2008 no 1° Congresso da Juventude Petista, e reúne militantes de diversas correntes do PT, independentes e simpatizantes. Visite www.facebook.com/movimentoforadaordem e saiba mais!
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