2003 vs 2019: A luta pelo desarmamento chega ao fim!

Por Clélia Moreira

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Por Schröder

Vamos lembrar bem do dia 15 de janeiro de 2019 com pesar e tristeza não daqui a muito tempo. Por decreto, o presidente Jair Bolsonaro facilita a posse de armas. Acredito que, assim como eu, a grande maioria não esperava que isso fosse demorar, pois esse foi o grande carro-chefe da campanha do então presidenciável.
Com a grande crise na segurança pública que assolava os brasileiros e brasileiras essa, acredito, foi a pauta mais debatida e levada em consideração nas eleições de 2018. O medo que a população carregava se transformou em ódio e os projetos que carregavam a marca de "matar bandidos" saíram vitoriosos em grande parte do país.
Acredito que é importante lembrarmos que em 22 de dezembro de 2003, a lei 10.826, conhecida também como o estatuto do desarmamento entrou em vigor sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tenho vagas recordações sobre a campanha pelo desarmamento. Na época, tinha pouco mais de 5 anos e até para nós – crianças - existiam ações sobre isso. Lembro-me que numa dessas ações a criança que levasse sua arma de brinquedo poderia trocar por outro brinquedo, e isso ficou em minha memória. Essas e várias ações mostraram ao país que a saída não é armar a população, mas sim que a segurança é um dever do Estado.
Hoje quando o presidente dá o direito ao "cidadão de bem" ter até quatro armas, isso mesmo, QUATRO ARMAS EM SUA POSSE, nós vemos que é o Estado sendo omisso, transformando a segurança em um problema individual e passando a proteção da população ao sistema privado.
Observamos, diariamente, acidentes que são causados pelo fácil acesso às armas de fogo, principalmente com crianças e adolescentes, e que levam, em sua maioria, à morte. Nós, que somos contra a armar a população, tememos que o Brasil vire um grande filme de Bang Bang, mas sendo na vida real, onde morremos de verdade.
Precisamos avaliar se estamos prontos para termos armas em casa, se o namorado abusivo da sua filha não irá matá-la quando ela disser um não, se o motorista irritado no trânsito não vai atirar no seu irmão, se seu sobrinho numa tarde de domingo for ao seu quarto e se suicidar, acidentalmente, brincando com este objeto.
E pode parecer cansativo, mas o problema da segurança pública não será resolvido armando a população. Esse decreto só facilita o acesso de armamento ao crime organizado, enquanto o cidadão que mais sofre com a falta de segurança segue ganhando seus R$ 998,00 e nunca poderá ter uma arma.
Precisamos nos perguntar algumas coisas: Para quem serve esse decreto? Quem será atingido? Quem terá facilidade? Quando nós soubermos realmente a quem esse governo serve, saberemos bem que esse decreto foi um grande erro.

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